Propaganda da Copa do Mundo: Por Que a Brahma Acertou em Cheio em 2026
- Dany Lederman

- 13 de mai.
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Atualizado: 15 de mai.
13 de maio
Dany Lederman
Se tem algo que o futebol deixa marcado na memória de todo mundo, torcedor ou não, são as propagandas em época de Copa do Mundo. Arrisco a dizer que às vezes elas marcam mais que os gols.
Quem não lembra de uma cena específica de um comercial e sente aquela vontade de torcer? Pois é. O marketing da Copa do Mundo tem essa magia particular — ele captura um sentimento coletivo e o transforma em imagem, som e narrativa.
E em 2026, com o Brasil na briga pelo hexacampeonato após 24 anos de espera, as marcas voltaram com tudo. Algumas, que sempre foram as preferidas, parecem não ter agradado tanto dessa vez, mas uma em especial se destacou logo de cara: a da Brahma.
"Tá Liberado Acreditar": A Propaganda da Copa do Mundo da Brahma que Começou pela Dúvida
Lançada dia 06 de maio de 2026, a campanha "Tá Liberado Acreditar" da Brahma fez algo que poucas marcas têm coragem de fazer: ela não fingiu que estava tudo bem.
O filme — criado pela agência Africa Creative e rodado no centro do Rio de Janeiro — abre mostrando o Brasil se preparando para a Copa em meio ao pessimismo real do torcedor, afinal são 24 anos de espera e um 7x1 indigesto. Pesquisas do Datafolha e da Quaest apontavam que apenas 3 em cada 10 brasileiros acreditavam em um título, o menor nível de confiança em décadas. A Brahma olhou para esses números e decidiu que era justamente aí que estava a história para uma propaganda da Copa do Mundo de sucesso.
O Elenco: Ronaldo Fenômeno e Carlo Ancelotti
Os protagonistas da peça são dois: Ronaldo Nazário, o Fenômeno, último campeão do Brasil em uma Copa do Mundo — justamente em 2002 — e criador do gesto do "número 1" que virou símbolo da campanha. E Carlo Ancelotti, o técnico italiano que assumiu a seleção brasileira e tornou-se, ele próprio, um fenômeno de simpatia no país.
A escolha é cirúrgica. Ronaldo representa a última vez que o Brasil foi campeão. Artilheiro da a copa de 2002, ele foi responsável por 8 gols. Ancelotti representa a esperança de que pode acontecer de novo. Juntos, eles constroem uma ponte entre gerações — entre quem viveu o hexa como promessa e quem torce para viver como realidade.
A Narrativa: Nostalgia com Propósito
O roteiro do filme percorre momentos históricos da Seleção com precisão afetiva de qualquer brasileiro que tenha assistido ou acompanhado os noticiários durante os torneios. Aparecem recriações de cenas como o gol da final de 1970 com Carlos Alberto Torres, a falta cobrada por Branco em 1994 desviada por Romário, o pênalti perdido por Roberto Baggio naquela mesma Copa — que entregou o título ao Brasil (nesta cena em especial vale prestar atenção no easter egg sensacional do roteiro que vai deixar muito italiano bravo) — e o gol de Ronaldinho Gaúcho contra a Inglaterra em 2002, aquele de cobertura que parou o mundo.
Não são apenas flashes. Essas escolhas foram emocionais. Cada lance foi selecionado para acionar uma memória específica na cabeça do torcedor: ora a glória, ora o alívio, ora a alegria pura.
O que diferencia essa campanha da maioria é exatamente o seu ponto de partida. Segundo Felipe Cerchiari, diretor de marcas Core da Ambev, a ideia era reconhecer o distanciamento do torcedor antes de propor qualquer reconexão. "O futebol sempre foi um dos maiores pontos de conexão do brasileiro com a sua própria identidade. A Seleção representa mais do que resultados, representa um sentimento coletivo de orgulho e pertencimento", disse o executivo em entrevistas sobre o lançamento.
A estratégia de mídia incluiu estreia da propaganda da Copa do Mundo em horário nobre na TV Globo e desdobramento nas redes sociais da marca e da CBF — o que reflete o patrocínio da Ambev à Seleção Brasileira.
Vale citar ainda: a Africa, agência responsável pelo filme, acumulou em 2026 as campanhas de Copa do Mundo de três das maiores marcas brasileiras — Brahma, Itaú e Vivo. Em dois desses filmes, Ronaldo aparece: na Brahma como símbolo do título e no Itaú, curiosamente, como torcedor comum.
Por que essa propaganda da Copa do Mundo funcionou
A Brahma tem algo que outras marcas precisam conquistar: legitimidade de território. A marca ocupa há décadas o espaço do boteco, do encontro informal, do futebol de “quarta” e da torcida de bar. Ela não precisou se explicar para estar no meio da Copa — ela já estava lá antes.
O filme entendeu isso e explorou com inteligência. Em vez de vender otimismo fácil, vendeu a possibilidade de acreditar. Existe uma diferença enorme entre as duas coisas. Otimismo fácil soa falso. A possibilidade de acreditar, mesmo com a dúvida, ressoa como verdadeiro — porque é o que o torcedor brasileiro de fato sente.
Me conta nos comentários o que você achou da propaganda da Copa do Mundo da Brahma, e qual ficou marcada na sua memória.








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