O que a exposição imersiva da Janis Joplin em São Paulo revela sobre o nosso comportamento de consumo

07 de maio
Dany Lederman
Fui ver a exposição da Janis Joplin em São Paulo e saí com uma sensação de que aquilo não era bem sobre música ou fãs, mas sobre comportamento de consumo.
Tenho tido essa impressão com exposições imersivas em geral. Mas essa deixou isso mais evidente do que nunca.
Não é só cultura — é experiência (e experiência tem preço)

Tem o lado cultural, claro. O histórico, o artístico. Mas o que mais chama atenção é outra coisa: as pessoas não estão ali só pra ver uma exposição. Estão ali pra viver algo.
Tirar foto. Sentir uma atmosfera. Se conectar com uma ideia de passado que, por algum motivo, parece mais interessante do que o presente.
E isso tem valor e não é baixo.
A nostalgia virou produto — e isso tem nome: comportamento de consumo
A Janis Joplin representa uma época em que boa parte do público nem viveu. Mesmo assim, existe identificação. E isso não é coincidência; é comportamento de consumo mapeado.
A professora Mariana Munis, especialista em Marketing e Comportamento do Consumidor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, explica que a nostalgia se tornou uma forte tendência de mercado. Segundo ela, a potência desse sentimento vem da saudade de uma juventude despreocupada — uma leveza que a vida adulta costuma cobrar caro.
Ou seja: você não está pagando só pela entrada. Está pagando por uma sensação. A de pertencer a algo, mesmo que esse algo seja uma reconstrução cuidadosamente produzida ou algo que você nunca vivenciou.
Para Talita Castro, CEO da PiniOn, a nostalgia não é apenas uma lembrança — é uma emoção que conecta passado e presente e revela como experiências afetivas moldam decisões de consumo.
E quando a decisão é emocional, o filtro racional diminui. Você questiona menos o gasto. Esse é o ponto. De acordo com um levantamento da PiniOn, 56,8% dos brasileiros já assumiram comprar produtos ou serviços motivados por lembranças.
O ingresso é só o começo
Fora o consumo por nostalgia, há o plus. O ticket sozinho até parece razoável. Mas nunca é só o ingresso.
Tem o deslocamento, um café depois, às vezes um almoço, alguma compra no meio do caminho. Quando você percebe, virou um programa completo — e um gasto bem maior do que o planejado.
E voltando ao tópico anterior de comportamento de consumo: como é uma experiência, você questiona menos. Esse é o detalhe que importa.
A influência no comportamento de consumo que a gente não vê
Esse tipo de evento é feito pra ser compartilhado. Você vê alguém indo, acha interessante, salva, pensa em ir também. Não é decisão totalmente sua — tem influência o tempo todo, moldando o jeito que a gente gasta sem perceber.
Exposições imersivas em São Paulo viraram programa social. E programa social tem uma lógica própria de consumo.
O que fica depois
A exposição em si é boa. Vale a visita.
Mas o mais interessante é o que ela revela: a gente está cada vez menos interessado em ter coisas e cada vez mais disposto a pagar por momentos. O problema é que o momento passa rápido — e o dinheiro também.
Não é sobre deixar de ir, mas perceber o padrão.
Porque entender seus gastos torna qualquer planejamento financeiro mais fácil. E hoje, muita decisão financeira passa muito mais por sentimento do que por lógica. Já falei isso aqui, hein? Me conta, você ainda está só na leitura ou já colocou em prática o que eu tenho dito?







Comentários