Da Escuridão ao Despertar: um livro sobre dependência química que ensina e caminha junto!
- Dany Lederman

- 2 de jan.
- 3 min de leitura
02 de janeiro de 2026
Dany Lederman
No meu último texto, falei sobre algumas opções de leitura para a virada do ano. Entre os livros que escolhi para as férias, ganhei um muito especial, sobre o qual resolvi falar neste texto.
Há livros que tentam explicar a dependência química. Outros prometem soluções rápidas ou fórmulas de cura. “Da Escuridão ao Despertar”, de Jan Claudio Hessel, segue por outro caminho — mais honesto, mais difícil e, por isso mesmo, mais necessário.

“Este não é um livro técnico.” A frase, logo apresentada ao leitor, não é apenas um aviso — é um compromisso.
O que encontramos aqui é um relato verdadeiro sobre drogas, recaída, sobriedade e recuperação, construído a partir de vivências pessoais, prática clínica e reflexão psicanalítica. Um livro que não fala sobre o sofrimento, mas a partir dele.
Isso não é um manual
Jan Claudio Hessel é psicanalista, com formação em Dependência Química, Psicanálise Contemporânea e atuação clínica. Mas, antes de tudo, é alguém que atravessou o mundo das drogas, conheceu a recaída, a internação e o desgaste cotidiano da busca pela sobriedade.
Essa é a trajetória de todo o livro. Cada capítulo carrega o peso de quem viveu o que escreve. Não há romantização da adicção, tampouco julgamento. O texto é direto, por vezes desconfortável, mas sempre humano.
Lendo “Da Escuridão ao Despertar”, fica claro que a autoridade de Hessel não vem apenas da formação acadêmica, o que ele oferece é algo mais raro: um testemunho com responsabilidade, da palavra atravessada pela dor, mas sustentada pela reflexão, o que muda completamente a relação com o leitor.
Drogas, recaída e o caminho possível da recuperação
Ao longo dos textos, o autor aborda temas centrais da dependência química: o uso recreativo que se torna compulsivo, as chamadas “portas de entrada”, a internação involuntária, a recaída como parte do tratamento e o desafio diário de permanecer sóbrio.
Nada é linear. Não há uma narrativa de superação idealizada. Há quedas, frustrações e retomadas. E talvez seja justamente isso que torna o livro tão potente: ele reconhece que a recuperação não é um evento pontual, mas um processo contínuo.
É um livro que conversa tanto com quem está em recuperação quanto com familiares, profissionais da saúde mental e leitores interessados em compreender o universo das drogas sem moralismos.
“Não diga não”: quando a linguagem também adoece
Um dos capítulos que mais me marcou foi “Não diga não”. Nele, Hessel discute algo simples e profundo: o cérebro não reconhece o comando negativo.
Ao dizer “não quero ficar doente” ou “quero parar de usar drogas”, o inconsciente cria exatamente a imagem daquilo que se quer evitar. Pensamento é ação. Linguagem é imagem. E imagem é movimento psíquico.
Essa reflexão ultrapassa o campo da dependência química e toca qualquer pessoa que já tentou mudar um padrão interno à força — e fracassou. O livro não oferece slogans motivacionais, mas provoca deslocamentos reais de pensamento.
Se você não tem comportamentos compulsivos, e pensa que o livro não é uma boa indicação de leitura, está enganado, “Da Escuridão ao Despertar” é um livro indicado para quem:
enfrenta ou já enfrentou a dependência química
convive com alguém em sofrimento
trabalha com saúde mental ou psicanálise
gosta e quer entender o universo psíquico
busca leituras honestas sobre drogas e recuperação
Mais do que respostas, o livro oferece companhia. Ele não promete luz imediata, mas ajuda a atravessar a escuridão com menos solidão.
Por que recomendo essa leitura
Porque é um livro escrito sem cinismo e sem ilusão.Porque respeita a dor sem transformá-la em espetáculo.E porque fala de sobriedade como ela é: frágil, possível e diária.
“Da Escuridão ao Despertar” é uma leitura importante para quem precisa de luz — e também para quem deseja aprender a oferecê-la.
👉 O livro está disponível no site da editora
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