All Her Fault: minha perspectiva como pai e marido sobre a série da Peacock
- Dany Lederman

- 3 de fev.
- 4 min de leitura
Atualizado: 5 de fev.
03 de fevereiro Dany Lederman All Her Fault, nova série de suspense da Peacock, disponível na Prime Video, é daquelas histórias que começam com tensão, mas acabam atingindo lugares muito mais profundos. Eu esperava um thriller envolvente e o que encontrei foi uma série que me fez olhar para minha própria rotina familiar com outros olhos.
Mais do que o mistério, o que realmente me marcou foi perceber, cena após cena, o esforço silencioso de uma mulher tentando dar conta de tudo. E, embora não seja a realidade aqui em casa, como pai e marido, foi impossível assistir sem me colocar nesse lugar.
Do que se trata All Her Fault?
A história gira em torno de Marissa Irvine, interpretada por Sarah Snook, que vive o pior pesadelo de qualquer pai ou mãe. Seu filho, Milo (Duke McCloud), desaparece durante o que deveria ser um simples encontro de brincadeiras, daqueles combinados entre pais.
Ao chegar ao endereço indicado, Marissa é recebida por uma mulher que não reconhece o nome do menino e afirma que ele nunca esteve ali. Esse momento, por si só, já é profundamente angustiante. A partir daí, a série constrói uma espiral de dúvida, culpa e paranoia que nunca abandona o espectador.
All Her Fault sob o olhar de um pai
Primeiro, como pai, foi impossível não me colocar no lugar de Marissa. O medo, a confusão e a sensação de falha são quase palpáveis. A série acerta ao não transformar esse desespero em espetáculo, mas em algo íntimo, sufocante.
O que torna tudo mais desconfortável é perceber como, rapidamente, o entorno começa a buscar culpados. E, quase sempre, o olhar se volta para a mãe.
A pressão social sobre mulheres e mães
Ao longo dos episódios, All Her Fault explora com precisão essa sensação de julgamento constante. Marissa não é apenas uma mãe em desespero, ela passa a ser analisada, questionada e colocada sob suspeita por outros pais, pela escola, pela mídia e até pela própria narrativa.
A culpa parece sempre à espreita, pronta para ser colocada sobre ela. E isso é algo que se pararmos para observar, é muito real.
Em vários momentos, me peguei pensando: e se fosse a minha esposa no lugar dela? Eu, certamente, não acharia justo.
O medo de ver alguém que você ama sendo responsabilizado por algo que foge completamente ao controle dela mexe com qualquer relacionamento. É um lembrete duro de como, mesmo com parceiros presentes, muitas expectativas sociais continuam recaindo quase exclusivamente sobre as mães.
All Her Fault funciona como série de suspense?
Funciona — e muito bem.
A série não é apenas um drama familiar, mas um thriller psicológico que brinca constantemente com a percepção do espectador. Cada episódio traz reviravoltas que colocam todos os personagens em uma zona cinzenta: amigos, parceiros, babás… ninguém é totalmente confiável.
O uso de flashbacks e pistas fragmentadas faz com que você questione não apenas os personagens, mas também seus próprios julgamentos. A tensão não vem só do “o que aconteceu”, mas do “quem está dizendo a verdade”.
O que All Her Fault diz sobre relacionamentos e divisão de responsabilidades
Uma das cenas mais comentadas pela crítica — e que também me marcou — é um flashback em que Marissa, exausta, tenta fazer Milo dormir e pede ajuda ao marido. Ele responde algo como: “claro, me diga o que você precisa”, com um sorriso vazio e pouco proativo.
É uma representação quase didática da chamada incompetência armada: quando alguém parece disposto a ajudar, mas transfere toda a responsabilidade emocional e prática para o outro.
Assistindo a essa cena, pensei em quantas vezes, na vida real, esse tipo de postura aparece disfarçada de boa intenção. Quantas vezes “ajudar” não significa, de fato, dividir o peso?
Isso me fez refletir sobre a minha própria vida. Não por me enxergar como vilão, mas por reconhecer que muitas cargas são silenciosas, invisíveis para quem está acostumado a apenas observar de fora.
O que a série nos ensina (sem ser moralista)
O próprio título All Her Fault levanta uma pergunta desconfortável: em situações de crise, quem realmente carrega o peso das expectativas e do julgamento?
A série evita respostas fáceis. Não existem personagens totalmente bons ou maus — apenas pessoas complexas, tomando decisões sob pressão, errando e tentando sobreviver emocionalmente ao caos.
É justamente essa falta de moral pronta que torna a experiência tão potente, tanto como entretenimento quanto como reflexão.
Conclusão: All Her Fault é mais do que um suspense
All Her Fault vai além do mistério e do suspense. É uma série sobre culpa, expectativas sociais e as tensões silenciosas que atravessam muitos relacionamentos.
A jornada de Marissa me fez pensar sobre a parceria real, sobre presença e sobre como o amor, muitas vezes, precisa aparecer mais em ações do que em palavras.
Para quem busca uma série envolvente, cheia de tensão e ainda carregada de uma camada emocional verdadeira, All Her Fault vale muito a pena — e certamente rende conversas que vão além da tela. All Her Fault está disponível na Prime Video.







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